O chefe da Agência Nuclear da Rússia, Serguei Kiriyenko, negou nesta segunda-feira que a imposição de sanções a Teerã possa afetar à construção por engenheiros russos da usina nuclear de Bushehr, no Irã.
Kiriyenko explicou a uma emissora de rádio local que as duas fases do ciclo nuclear da fábrica que podem ser utilizadas tanto com fins civis como militares têm lugar em território russo.
O funcionário se referiu ao enriquecimento de urânio e a reciclagem do combustível nuclear utilizado para o funcionamento da central de Bushehr, a primeira que engenheiros russos constroem no Irã.
Além disso, ressaltou que a fábrica de Bushehr, de mil megawatts de potência e que se encontra nas margens do Golfo Pérsico, começará a gerar eletricidade após o verão.
Há poucos dias, o diretor do Organismo de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, assegurou que a fábrica começaria a operar em setembro.
Com o apoio da AIEA e apesar das críticas dos Estados Unidos, a Rússia forneceu durante os últimos anos ao Irã combustível nuclear destinado a Bushehr.
A Rússia sempre manteve que "a parte iraniana deu garantias escritas adicionais de que o combustível será empregado exclusivamente na central" para a geração de eletricidade.
Além disso, Moscou e Teerã assinaram no começo de 2005 um protocolo adicional sobre a devolução à Rússia do combustível nuclear usado na central atômica.
Bushehr deveria ter começado a funcionar em 2009, mas em novembro a Rússia anunciou que adiava o começo da fábrica para este ano, sem explicar os motivos, o que provocou a indignação de Teerã.
A Rússia, que sempre advogou pela solução diplomática da crise nuclear, se mostrou disposta a respaldar a imposição de sanções contra o Irã por suas ambições nucleares.
Por esta razão, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou recentemente o chefe do Kremlin, Dmitri Medvedev, por unir-se com os inimigos do Irã "durante 30 anos", em alusão aos Estados Unidos.